Escalas sobre as dominantes estendidas
Cada dominante em uma sequência do tipo dominante estendida continua funcionando como uma preparação para o seu respectivo acorde meta, diatônico. O que acontece é que, quando chegaria a vez de aparecer o acorde-meta, já encadeamos outra dominante secundária, e assim por diante. Contudo, é como se cada dominante secundária estivesse a chamar o seu acorde meta, e, portanto, temos de usar a escala que prepararia o acorde meta.
Por exemplo, no segundo compasso na progressão a seguir, durante o B7 (V7/IIIm) utilizamos o quinto modo da escala de mi menor (harmônica ou melódica), que é a escala do acorde meta original (o acorde de Em, o IIIm da tonalidade de C maior) e não, a escala de onde sairia o E7 (isto é, a escala de A maior ou A menor).

Por sua vez, durante o E7 (V7/VIm), utilizamos o quinto modo da escala de lá menor (harmônica ou melódica), que é a escala do acorde meta original (o acorde de Am, o VIm da tonalidade de C maior), e não, a escala de onde sairia o A7 (isto é, a escala de D maior ou D menor), e assim por diante.
Em resumo, na hora de aplicar a escala sobre cada dominante estendida, temos de pensar que cada dominante continuaria preparando o grau diatônico que prepararia normalmente como dominante secundária, mesmo que esse grau diatônico não vá aparecer[1].
[1] Sobre isso, ver FREITAS, S. P. R. Teoria da Harmonia na Música Popular: uma definição das relações de combinação entre os acordes na harmonia tonal. Florianópolis, Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), 2002, p. 84-5.