Acorde de Sexta Napolitana

Na tonalidade menor, por vezes a 6M do IVm6 era alterada para 6m e colocada no baixo. O acorde resultante dessa alteração é chamado de acorde de sexta napolitana[1], devido ao seu surgimento na ópera napolitana do século XVIII[2]. É simbolizado por bII7+, porque o seu resultado é o equivalente de abaixar a tônica do IIm7(b5) em meio tom. O IIm7(b5) consiste de T – 3m – 5b – 7m. Baixando-se a T em meio tom, temos o bII7+, que consiste de T – 3M – 5J – 7M.  As tabelas a seguir explicitam isso em mais detalhes:

Enquanto o acorde de sexta de Rameau é um acorde pertencente ao campo harmônico diatônico, só que com o acréscimo de uma tensão (a sexta maior no IV grau), o acorde de sexta napolitana é um novo acorde (bII7+) para o campo harmônico menor, que se origina de uma nota que não pertence à escala original (a sexta menor no IV grau). Contudo, por se tratar também de um IV com sexta (menor), também possui função subdominante.

Escalas para o acorde de sexta napolitana

Como o acorde de sexta napolitana não é diatônico, temos de alterar na escala a nota que foi mudada no acorde. Entretanto, como veremos a seguir, embora seja mais utilizado na escala menor natural, esse procedimento está disponível também para as escalas menor harmônica e menor melódica. Para cada um desses usos, teremos uma escala diferente para o acorde de sexta napolitana. O quadro a seguir ilustra esses casos tomando como exemplo a tonalidade de dó menor.     


*          Equivale ao modo lídio

*          Equivale ao modo lídio 6+ (segundo modo da escala napolitana menor)

***      Equivale ao modo lídio 5+/6+ (segundo modo da escala napolitana maior)


REFERÊNCIAS

FREITAS, S. P. R. Teoria da Harmonia na Música Popular: uma definição das relações de combinação entre os acordes na harmonia tonal. Florianópolis, Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), 2002.

KOELLREUTTER, H. J. Harmonia Funcional. São Paulo: Ricordi Brasileira, 1980.


[1] Para uma análise detalhada deste acorde e sua função, ver Freitas (2002, p,. 40-2).

[2] Sobre isso, ver Koellreutter (1980, p. 33).